Zebras enfrentam leões. Você enfrenta boletos. Quem está mais estressado?
Zebras vivem sob constante ameaça de predadores, enfrentam fome e secas extremas. Ainda assim, elas não desenvolvem úlceras, doenças cardíacas ou transtornos de ansiedade.
E nós, humanos? Vivemos sentados em cadeiras, muitas vezes com comida à disposição, mas somos consumidos pela preocupação. Como isso é possível?
A resposta está no tipo de estresse que cada espécie experimenta.
O que é estresse, afinal?
Estresse não é, em si, algo ruim. É um mecanismo biológico de sobrevivência — uma reação automática do corpo frente ao perigo. Quando você está diante de uma ameaça real, seu corpo reage assim:
Seu coração acelera para bombear mais sangue para os músculos;
Seus músculos se contraem, prontos para ação;
Substâncias como adrenalina e cortisol são liberadas para otimizar sua chance de sobrevivência.
Essa resposta é conhecida como modo de luta ou fuga. Nos tempos antigos (e ainda hoje na natureza), ela salvava vidas.
O problema do estresse na vida moderna
Enquanto uma zebra ativa esse sistema apenas quando um leão aparece, os humanos ativam essa resposta o tempo todo — e por motivos psicológicos.
A zebra foge, escapa, e em minutos volta a pastar, relaxada.
Já o ser humano vive em alerta constante. Não precisamos de um leão para nos estressar. Basta:
Um prazo apertado no trabalho;
Pensar em dívidas ou problemas financeiros;
Lembranças traumáticas do passado;
Preocupações com o futuro;
Medo de julgamento ou fracasso.
Nosso cérebro não distingue ameaças reais de ameaças imaginárias. O corpo reage do mesmo jeito a um e-mail do chefe ou a um predador na savana.
O que acontece quando o estresse vira constante?
Nosso corpo não foi feito para viver em estresse crônico. Quando ficamos muito tempo nesse estado de alerta, os hormônios do estresse causam impactos reais na nossa saúde:
Coração: pressão alta, inflamação e maior risco de infarto;
Sistema digestivo: úlceras, intestino irritável, disbiose;
Sistema imune: queda da imunidade, maior chance de adoecer;
Saúde mental: ansiedade, depressão, insônia, confusão mental.
Isso mostra que o estresse não é apenas “mental” — ele é profundamente físico e sistêmico.
Por que os humanos sofrem mais com o estresse?
Ao contrário dos animais, temos três características mentais que complicam tudo:
Memória: revivemos constantemente eventos passados que nos causaram dor ou estresse.
Imaginação: antecipamos perigos que ainda nem existem.
Conexões sociais complexas: temos medo da rejeição, do fracasso, da crítica — o que ativa o mesmo sistema de estresse usado para fugir de um leão.
Como começar a controlar o estresse?
A chave está em reeducar seu corpo e sua mente para sair do modo de alerta constante. Algumas estratégias eficazes incluem:
Respiração profunda e consciente (ativa o sistema parassimpático, responsável pelo relaxamento);
Exercício físico regular (libera endorfinas e regula o cortisol);
Sono de qualidade;
Contato com a natureza;
Terapias como mindfulness e meditação;
Limitar exposição a estímulos estressantes (notícias, redes sociais, etc.).
Referência: SAPOLSKY, Robert M. Por que as zebras não têm úlcera. 3. ed. Nova York: Henry Holt and Company, 2004.